sábado, 19 de maio de 2007

NEOLIBERALISMO versus PENSAMENTO CRÍTICO

Enquanto todas as outras ciências progridem, a de governar está parada. É compreendida e praticada hoje da mesma forma que foi há três ou quatro mil anos. (John Adams)

Neoliberalismo, de uma forma mais bem explanada, é a retomada dos valores e ideais do liberalismo político e econômico que nasceu do pensamento Iluminista e dos avanços econômicos decorrentes da Revolução Industrial do século 19.

O aprimoramento de máquinas capazes de reproduzir em grande escala o mesmo produto e a descoberta da eletricidade possibilitaram à indústria produzir, não em função de necessidades humanas, mas, sobretudo visando ao aumento do lucro das empresas.

O termo Neoliberalismo passou amplamente a ser utilizado após a dissolução da União Soviética e se fundamenta em medidas que facilitam os fluxos de capitais e mercadorias, importantes à globalização, aumentando a concentração e a centralização de rendas, formando corporações cada vez maiores e mais poderosas.

É avaliado por alguns como benéfico e por outros como maléfico à ordem mundial, e assim se divide em vertentes; o da liberdade econômica, da eficiência e da qualidade que propõe um mercado aberto e de livre concorrência em detrimento da igualdade que torna distinta a liberdade, o desenvolver individual, a democracia econômica, dentre outros.

A ideologia do Neoliberalismo de mercado depara-se com a escola pública em deficiência e fracasso, como resultado da inabilidade administrativa e financeira do Estado. Valoriza-se, então, a ação da iniciativa privada no desenvolvimento e no progresso individual e social. Nessa perspectiva o Estado se desobriga da educação pública.

Nota-se, portanto, que a atual forma estrutural e educacional, no plano mundial, inflige novos desafios e um novo discurso ao setor educacional. Assim faz-se necessário considerar que se perceba a direção política e de que maneira é possível a democratização da sociedade e da educação. Essa atividade relaciona-se à obrigação de uma reestruturação na Educação que corresponda aos desafios da sociedade tecnológica atribuídos à escola e à educação e geral.

Essas políticas neoliberais perseguidas ao final dos anos 70 e no começo dos 80 por parte dos governos nacionais dos países centrais constituem precisamente uma tentativa (crescentemente desesperada) de “remercadorização” de suas economias. Este fenômeno percebemos claramente quando olhamos o tamanho gigantesco que as transnacionais vêm atingindo, enfraquecendo, sobretudo, o poder estatal, especialmente nos países subdesenvolvidos, para não dizer sub-administrados.

No Brasil, o Neoliberalismo principiou-se com Fernando Collor (1991-1992). Porém na versão brasileira, o Neoliberalismo defende a limitação da participação do Estado na atividade econômica, identificando-se como “Estado menor” e mais eficiente, onde a ofensiva neoliberal vem promovendo a liquidação dos direitos sociais, a privatização do Estado, o sucateamento dos serviços públicos e a sistemática implementação de uma política macroeconômica perniciosa à massa da população.

O Neoliberalismo é responsável, hoje, pelo declínio econômico das classes sociais brasileiras. Em 1973, época em que o Brasil colhia os frutos da industrialização e vivia a euforia do milagre econômico, os brasileiros conseguiram subir um degrau na escala social. De 1973 para cá, a crise econômica interrompeu o progresso e a prosperidade destas famílias, agravando-se cada dia mais em decorrência da implementação da cultura neoliberal. A atual geração tem dificuldade de progredir economicamente e as disparidades sociais são enormes, que fazem do Brasil um país campeão da desigualdade social.

Mas, em presença de situações tão adversas, é imprescindível manter um projeto ético-político, não consentindo que o Neoliberalismo se instaure como forma de exclusão social. Há maneiras de resistir. Afinal, o último reduto a ser conquistado é a nossa própria consciência: Ninguém destrói o pensamento crítico.

Diney Vasco

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