terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

SUSERANOS & VASSALOS: DO FEUDALISMO À ERA DIGITAL


"Com tanta riqueza por aí, aonde é que está?
Cadê sua fração? Até Quando esperar?"
(Plebe Rude)

É imprescindível ponderarmos que todas as transformações e revoluções técnico-científicas decorrentes desde a segunda metade do século XVIII – ou mesmo antes, século XV, não foi a enxada e o arado um revolução “tecnológica”? – até o momento atual resultam de uma ação humana concreta onde interesses conflitantes se manifestam no Estado e principalmente no mercado, vertentes complementares do conluio capitalista, cujo núcleo se constitui em dominar e explorar as capacidades materiais e humanas de produção da riqueza, em benefício próprio.

O ápice dessa transformação/revolução do capitalismo, no final do século XX e início do século XXI, é a chamada globalização. Embora o termo possa aludir a uma idéia de inclusão, união de países, regiões e pessoas, o que se percebe, de modo geral e notório, é a lógica da exclusão, pois com a flexibilidade global da produção, onde o mundo se transforma num imenso “supermercado”, o trabalho perde a sua forma, dispersa-se, espalha-se, dessindicaliza-se, diversifica-se e torna-se cada vez mais escasso, induzindo a acreditar que o homem parece inevitavelmente condenado a extinguir o trabalho manual e assalariado nas indústrias e principalmente na agricultura, ou seja, enquanto a revolução tecnológica cria as condições para o aumento da produção e qualidade dos alimentos, agrava-se o problema do desemprego no campo, provocando o êxodo rural e suas conseqüências miseráveis pelas precárias condições ou inexistência de trabalho na vida urbana.

Na realidade, está em ritmo acelerado uma tendência mundial, tanto nos países desenvolvidos como nos que estão em fase de desenvolvimento, de crescimento do setor de serviços ou de ampliação da geração de riqueza em prejuízo à agricultura e à indústria que passam por um processo de enxugamento e compressão em função da modernidade com a informatização e aquisição de novas tecnologias e formas de gerenciamento, instigando o desemprego estrutural e a busca por talentos e capacidades para o desenvolvimento de atividades que exigem maior qualificação.

Com esse “efeito” da globalização em voga, aliada ao “tsunami” nefasto dos interesses capitalistas, os governantes (globalização também ocorre no âmbito do poder) e segmentos representativos da sociedade (exclui-se, no Brasil, o MST e sua luta) desprezam, ainda, uma dialética voltada aos interesses comuns e pertinentes à própria harmonia e convivência/sobrevivência social futura: O que fazer com as pessoas excluídas e descartáveis para o sistema atual de produção?

A globalização e as revoluções técnico-científicas hodiernas são efêmeras, mutáveis e inevitáveis. Todavia, a visão capitalista em relação à condição dos seres humanos é anacrônica: Feudalismo, Idade das trevas.

Diney Vasco

Referência Bibliográfica:

Educação escolar: políticas, estrutura e organização. (pp. 59-83.). José Carlos Libâneo, João Ferreira de Oliveira, Mirza Seabra Toschi. São Paulo: Ed. Cortez 2003.

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